Gestão financeira para manicure: a agenda lotou e o dinheiro não apareceu
Dia 30, nove da noite. O pote de gel acabou na última cliente e o fornecedor só entrega com pagamento adiantado. Você abre o aplicativo do banco para fazer o Pix e o saldo não fecha com o mês que acabou de passar: a agenda esteve cheia de segunda a sábado, teve dia de onze atendimentos, e mesmo assim falta.
Ninguém roubou nada. O dinheiro entrou picado, R$ 35 aqui, R$ 90 ali, na mesma conta de onde saem o mercado, a luz de casa e o presente de aniversário da sobrinha. Ele foi sendo gasto como se fosse todo seu. Uma parte nunca foi.
Entrar não é ganhar
Uma conta de exemplo, com números redondos. Os seus vão ser outros; o formato é o mesmo.
No mês entraram R$ 7.200. Saíram:
- R$ 900 do aluguel da sala
- R$ 1.050 de material
- R$ 130 de taxa de cartão
- R$ 85 do boleto do MEI
- R$ 110 de celular e internet
- R$ 225 de transporte
São R$ 2.500. Sobram R$ 4.700, e é esse o seu salário, não os sete mil e duzentos.
Agora some as horas. Não só as de atendimento: as de responder mensagem, limpar a mesa, esterilizar alicate, buscar material. Se der 190 horas no mês, os R$ 4.700 viram menos de R$ 25 por hora. É um número que quase nenhuma manicure conhece sobre o próprio trabalho, e é ele que diz se o preço está certo.
O Pix pessoal é o primeiro vazamento
Enquanto o dinheiro da cliente cai na conta em que cai o resto da vida, toda compra parece caber. O saldo está alto na sexta porque o material da semana que vem ainda não foi comprado.
Separar não exige empresa aberta nem contador. Exige uma segunda conta, gratuita, só para o trabalho: todo recebimento entra nela, toda despesa do estúdio sai dela. E num dia fixo do mês você transfere para a sua conta pessoal um valor combinado com você mesma. O que fica para trás paga o gel, o aluguel e o mês fraco.
Parece burocracia até o primeiro mês em que o material é comprado sem aperto.
Quanto custa abrir a porta por uma hora
Some o que você paga mesmo se ninguém aparecer: sala, MEI, celular, transporte. No exemplo, R$ 1.320. Divida pelas horas em que tem cliente sentada — digamos 120 no mês.
Dá R$ 11 por hora. Antes de abrir um esmalte, cada hora de cadeira já custou onze reais.
O serviço mais caro nem sempre é o que paga melhor
Com esse número dá para olhar serviço por serviço. Dois exemplos, com custos de material ilustrativos:
Aplicação de alongamento, R$ 140, duas horas e meia. Custo da cadeira: R$ 27,50. Material (gel, tips, lixas, primer, finalizador): R$ 22. Taxa do cartão: R$ 4. Sobram R$ 86,50 — R$ 34,60 por hora.
Manutenção, R$ 90, uma hora e meia. Custo da cadeira: R$ 16,50. Material: R$ 9. Taxa: R$ 3. Sobram R$ 61,50 — R$ 41 por hora.
A aplicação é o serviço que impressiona na tabela de preços. A manutenção é o que paga melhor a hora. Por isso a cliente que volta a cada três semanas vale mais do que a que aplica uma vez e some, e por isso a remoção feita "de cortesia" sai tão cara: ocupa a cadeira e não paga nem os onze reais da hora.
Para achar o custo do seu material, anote uma vez quantas clientes um pote atendeu. Gel de R$ 90 que rendeu trinta aplicações custa R$ 3 por cliente. Faça isso com o que você mais usa e some. Leva uma tarde e muda a forma de olhar a tabela.
A taxa do cartão também é preço
Se metade das clientes paga no crédito, a taxa da maquininha é uma despesa mensal fixa com outro nome. Vale saber duas coisas: quanto do seu mês entra por cada forma de pagamento, e quanto a maquininha fica em cada uma.
Com esses dois números você decide com calma se o preço já embute a taxa ou se o Pix merece um desconto. Decidir na hora, com a cliente de pé e a carteira na mão, costuma terminar em você absorvendo.
A reserva tem duas gavetas
Reposição. Material acaba em bloco: o gel, o top coat e as lixas resolvem terminar na mesma semana. Quem separa por semana um valor próximo do que gasta de material por mês não precisa escolher entre o fornecedor e a conta de luz.
Mês fraco. Dezembro lota. Janeiro costuma esvaziar, com cliente viajando e fatura de fim de ano chegando. O aluguel da sala não sabe disso. Um mês de despesas fixas guardado transforma janeiro de susto em mês ruim, só.
O erro mais comum
Baixar o preço para encher a agenda sem saber quanto custa a hora.
Agenda cheia a R$ 25 por hora cansa igual à agenda cheia a R$ 40, e paga quase a metade. Quem ainda não fez a conta da cadeira não tem como saber se o desconto é estratégia ou é pagar para trabalhar.
Como fica no Reservya
Cada atendimento encerrado vira receita no caixa sozinho, já com a forma de pagamento que você marcou: dinheiro, Pix, crédito ou débito. Não tem caderno para passar a limpo no domingo.
As despesas você lança à mão — descrição, valor e data — e a tela Financeiro mostra o período que você escolher: quanto entrou, quanto saiu, o saldo e quanto veio por cada forma de pagamento. É a conta do começo deste texto, feita sem planilha.
Em Relatórios aparecem o faturamento, o ticket médio, os serviços mais vendidos com a receita de cada um e o movimento por dia da semana. Dá para ver, por exemplo, que a terça rende metade da sexta e decidir o que fazer com ela.
Para quem trabalha com ciclo, existem os pacotes de sessões, pagos na venda, e o plano mensal da cliente, em que cada mês vira uma parcela na lista do que você tem a receber.
Três coisas o sistema não faz. Não calcula o custo do material por serviço nem a sobra por hora: essa conta continua sua, com os números que ele entrega. Não separa a despesa por categoria; vale a descrição que você escrever. E não emite nota nem cuida do boleto do MEI.
Se a parte da agenda ainda é o que mais pesa, leia antes por que a cliente de unha não marca horário, marca o próximo ciclo. E para achar as horas de cadeira que a sua semana está perdendo, baixe o guia das 4 formas de tapar os buracos da agenda.